Antes de falar sobre tecnologias de CD, vale lembrar
que, ao contrário do que muitos pensam, as pesquisas
e experimentos com a luz servindo como veículo
de informação datam de antes do início
da década de 20. O próprio Einstein, já
em 1917, desenvolveu fantásticas teorias sobre
o efeito fotoelétrico e emissão estimulada
por radiação, teorias que seriam tomadas
como base para muitos dos futuros estudos sobre laser.
Muitas anos depois se conseguiu o domínio do laser,
hoje algo comum na vida de todos nós.
Sem dúvida alguma o advento do compact disc representa
para todas as pessoas ligadas ou não ao mundo tecnológico
um marco na evolução das técnicas
de leitura e gravação de informações.
Em 1967 registraram-se os primeiros experimentos quanto
a gravação digital do som, desenvolvida
pela NHK Techical Research Institute. A técnica
ficou conhecida como PCM (Pulse Code Modulation). Em meados
de 1972, a Denon, uma divisão da mega empresa Nippon
Columbia fez em definitivo a primeira gravação
digital para servir de matriz a um LP: nascia o primeiro
disco pseudo-digital. Baseadas nestes experimentos três
empresas japonesas (Sony, Mitsubishi e Hitachi) desenvolveram
o primeiro equipamento DAD (Digital Audio Disc). Em 1977
estas mesmas empresas demonstraram publicamente o novo
sistema que, comparado com o atual CD, era um tanto ou
quanto primitivo, pois utilizavam discos do tamanho de
LPs comuns e com pouca capacidade (cerca de meia hora
de musica contínua). O disco laser tal como conhecemos
hoje surgiu nos laboratórios da Philips em Eindhoven,
Holanda. Foram nestes laboratórios que se aprimoraram
as técnicas de gravações ópticas
e digitalização de dados. A Sony, empresa
que também desenvolvia pesquisas nesta área
tecnológica, em meados de 1980 uniu-se à
Philips para a troca e soma de tecnologias e assim, juntas,
criam o que o mundo conheceria como CD player. Nesta divisão
de trabalho, a Sony se dedica ao desenvolvimento de todo
o software do sistema (algoritmo) enquanto a Philips se
aplicava ao projeto de hardware.
A apresentação oficial do CD para mundo
só ocorreu em outubro de 1982, quando levado para
Tóquio e apresentado num stand de novidades internacionais
de tecnologia (All Japan Audio Fair), que logo consolidou-se
como a revelação do ano. Nesta feira de
áudio foram lançados 30 modelos de toca-discos
digitais e 145 títulos de discos produzidos pela
CBS/Sony e por gravadoras européias lideradas pela
Polygram. Em março de 1983, a novidade tecnológica
entra na Europa e brilha em Paris. Nos EUA o áudio
digital só chegou em junho de 83, no Consumer Electronics
Show, realizado em Chicago. Os primeiros modelos comercializados
tiveram preços que variavam entre U$ 900 e U$ 7.500.
A abertura de vendas, em nível mundial, só
ocorreu no final de 83. Em 1984, a Sony lançou
o Discman , anunciado como o sucessor do Walkman - e que
na verdade frustraria a todos. Ao final de 5 anos, já
haviam sido vendidos mais de 30 milhões de leitores
de CD e aproximadamente 450 milhões de discos digitais.
Para nós simples mortais do Brasil, a Philips lançou
em outubro de 84 o primeiro CD player (CD-204) que chegou
as lojas em novembro, vencendo a corrida contra a Gradiente,
que só lançou seu modelo no natal daquele
ano.
É notória e indiscutível a superioridade
do compact disc sobre os aparelhos analógicos,
porém esses equipamentos de alta tecnologia, grande
precisão e incrível fragilidade têm
uma duração muito menor do que realmente
gostaríamos. Enquanto os discos ópticos
duram décadas, o leitor poderá durar apenas
algumas mil horas! É isso mesmo, muitos destes,
durante o uso, já apresentam problemas muito antes
de completar sua primeira milésima hora . Só
para esclarecer, uma unidade óptica era projetada,
no início, para durar até 10.000 horas.
Infelizmente, na prática, pelo mau uso e com a
queda de qualidade da produção, estas unidades
duram entre 3.000 e 5.000 horas, com otimismo. Assim,
pagamos um preço alto pelos benefícios do
laser. A troca da unidade é algo crítico
devido a seu preço, as unidades de CD mais baratas
custam cerca de US$ 42 , já unidades de CD-ROM
tem valores mais elevados, em torno de US$ 58, e as unidades
de DVD podem superar a quantia de US$ 200. No caso de
unidades ópticas de CD-R o problema é maior,
visto que no modo gravação aumentamos a
corrente sobre o diodo laser, desgastando-o mais rapidamente.
É importante dizer que nem sempre a falha de
leitura se dá por esgotamento do cristal oscilador,
principalmente quando as unidades são mais novas.
Existem muitos outros fatores, como sujeiras e oxidações,
que geram problemas idênticos, sem falar na necessidade
dos ajustes. Por todas essas razões veremos durante
nossa série de aulas como proceder para uma manutenção
correta nestas frágeis unidades, com alguns cuidados
podemos mantê-las funcionando por mais tempo.
Como não poderia faltar, a padronização
do CD-DA (áudio) veio rápido. Para sua internacionalização
através de códigos e normas, adotou-se o
padrão Red Book A origem deste nome deve-se a um
fato pitoresco: todas as anotações dessa
tecnologia eram feitas em livros de capa vermelha. Com
o passar dos anos e o aparecimento de novos formatos de
CD, obviamente, houve a necessidade de novas padronizações,
as principais que regem o mundo do CD são:
CD-DA (1982): Red Book
CD-ROM (1985): Yellow Book
CD-I (1987): Green Book
CD-ROM MO/WO (1990): Orange Book
DVD(1994): White Book
Só a título informativo, as primeiras
experiências com gravação de vídeo
disco foram feitas nos antigos VLDs (Video Laser Disc).
O processo básico de leitura/gravação
era similar à tecnologia empregada hoje, mas as
semelhanças param por aí. Os tamanhos do
VLDs variavam de 7 a 30 cm (famosos bolachões).
Num disco de 30 cm de diâmetro era possível
colocarmos até 2 H de filme por lado. Oportunamente,
serão feitas comparações entre estas
várias modalidades de discos digitais.
Por fim, fica fácil perceber que o advento do
laser, junto a fotônica, representa o que o transistor
proporcionou à eletrônica no final da década
de 40.